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terça-feira, 19 de abril de 2011

Idealizador do @VIACERTANATAL é agredido.

Em meio à campanha contra o aumento dos combustíveis em Natal, a intimidação. O idealizador e coordenador do serviço @viacertanatal, que informa as condições do trânsito na cidade por meio do Twitter, Hudson Silvestre, recebeu ameaças através do microblog e chegou a ser agredido fisicamente na tarde de quarta-feira, quando foi surrado por um motoqueiro não identificado que o abordou enquanto Hudson registrava um acidente de trânsito na Avenida Lima e Silva. Foi o perfil Via Certa Natal que começou a campanha pela redução dos preços dos combustíveis no Twitter e criou a hashtag #combustivelmaisbaratoja, termo que alcançou mais de 28 mil replicações na rede, mantendo-se entre os termos mais comentados em todo o Twitter. Diante da coação e buscando se preservar, o tuiteiro publicou na Internet um aviso a seus seguidores no início da tarde de ontem comunicando que estava desistindo da campanha.

Em entrevista ao Diário de Natal, Hudson contou que a primeira ameaça chegou na manhã de quarta-feira, por meio de uma Direct Message (Mensagem direta) no Twitter que dizia: "Se a gente quebrar, vocês vão quebrar também". As ameaças teriam partido do usuário @terrornasbombas, que na tarde de ontem já havia sido excluído do site. O coordenador do Via Certa relata que no início da tarde, enquanto fazia fotos de um acidente ocorrido na Avenida Lima e Silva, foi agredido por um motoqueiro. Por conta de um AVC, Hudson tem dificuldade de locomoção e anda com o auxílio de muletas. "Ele começou a me dar murros e chutes e eu não tinha como me defender por conta da minha dificuldade de locomoção. Quem me ajudou foi o motorista do carro que estava envolvido na colisão", conta. Segundo ele, as únicas palavras que o motoqueiro falou foram "vagabundo tem que apanhar".




No entanto, as ameaças não pararam por aí. Quando acessou o Twitter do Via Certa, no fim do dia, a vítima se deparou com mais uma mensagem que dizia "O que aconteceu hoje foi só o começo, se vocês continuarem virá muito mais". Hudson prefere não acusar ninguém sobre a autoria da agressão física, mas garante que essa é a primeira vez que passa por uma situação de ameaça. "Fica difícil a gente falar 'foi esse ou aquele'. Acusar alguém ou algum órgão seria leviano", afirmou.

Após o fato, o Via Livre postou no Twitter: "Temos uma equipe de 6 pessoas circulando pela cidade com o uniforme do @viacertanatal, para preservar a nossa equipe do @transitonatal, @viacertanatal e @ViaCertaII vamos parar com a campanha #combustivelmaisbaratoja. Um membro da nossa equipe foi agredido ontem sem motivos e tbm recebemos ameaças via twitter. Pedimos o entendimento de todos e agradecemos o respeito pelo nosso trabalho", dizia a mensagem publicada na internet.

Intimidado, Hudson Silvetre conversou com sua equipe de trabalho do Via Certa e decidiu não registrar nenhum boletim de ocorrência. "Decidi não fazer nada porque temos uma equipe de seis pessoas que trabalham nas ruas, com camisetas que identificam o Via Certa, e todos nós estamos vulneráveis. Para resguardar nossa equipe não vamos levar isso adiante", disse.

Além disso, Hudson afirmou que não vai prosseguir com a divulgação da expressão "combustível mais barato já", embora seja possível que outros usuários o façam já que a expressão se tornou de domínio público. De acordo com o jornal O Estado de S. Paulo, a expressão foi replicada no Twitter mais de 28 mil vezes desde o início da semana, mantendo-se entre os assuntos mais comentados no microblog.

OAB considera fato preocupante

O delegado César Rodrigues, diretor da delegacia de Polícia da Grande Natal, esclareceu que é fundamental que a vítima faça o registro da ocorrência, para que a polícia possa tomar as primeiras providências. "Em casos como esse somente a partir do registro da ocorrência a polícia pode instaurar o inquérito policial e fazer seu trabalho de investigação. É de suma importância que ele faça o boletim de ocorrência, até porque ele está sendo ameaçado e pode acontecer um fato lamentável lá na frente se a polícia não for acionada", explica o delegado.

Para o vice-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil no RN (OAB/RN), Aldo Medeiros, o fato é preocupante e deve ser apurado. "Acredito que as autoridades, de alguma forma, em função da repercussão serão levadas a instaurar um procedimento investigatório quando as evidências vierem a público". O advogado afirmou que buscará mais informações sobre o caso para então se reunir com a diretoria da OAB e avaliar que medidas poderão ser tomadas. "Quando há um episódio de violência de grande repercussão social a OAB faz um acompanhamento, por meio de sua comissão de direitos humanos, acompanhando o trabalho de investigação da polícia. De qualquer forma não podemos prejulgar e estabelecer culpados", disse.

O vereador Julio Protásio, um dos integrantes do comitê que organiza a campanha Combustível Mais Barato Já - integrada pela Câmara dos Vereadores, Ministério Público, Procons e OAB, afirmou que espera que a situação tenha sido um mal entendido.

"As autoridades judiciais de Natal não vão permitir que isso aconteça na nossa cidade, até porque muitos estão participando da nossa campanha. Nós estamos atentos e se por acaso alguém se sentir ameaçado pode procurar uma das entidades que formam o comitê, como a OAB, o Ministério Público ou a Câmara Municipal de Vereadores", afirmou.

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