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sexta-feira, 18 de março de 2011

ENTROU NO SHOPPING PORQUE QUIS!

Achei muito interessante o texto publicado no blog Las Pitombas, então decidi publica-lo na íntegra aqui também:


Um assunto muito em voga por esses dias na cidade do sol, é aquela lei que isenta a cobrança do estacionamento nos shoppings, se você mostrar que está estribado e apresentar a nota fiscal comprovando que gastou mais de 10 vezes o valor do estacionamento. Ou 30 reais.   
Quer saber o que eu acho disso tudo? Não quero ser “do contra”, mas a cobrança nos estacionamentos dos shoppings pode até ser chata, mas não tem nada de imoral ou ilegal, apesar de engordar (o caixa do Shopping). Quer ver? 

Primeiro, saiba que existe um novo princípio constitucional (tão novo que acabei de inventar) chamado “entrou porque quis” (que é da mesma categoria daquele outro “tilou pagou”), que em geral é invocado sempre que alguém reclama de alguma coisa que não gostou em determinado lugar. O shopping tá lá bonitinho, cheiroso e refrigerado e você quer almoçar lá dentro? Ele guarda seu carro e cobra 3 reais. Qual o problema disso? Alguém lhe obrigou a entrar? Entrou porque quis! Então vá almoçar na rua ou procure quem não cobre. Aquilo é um lugar privado, oras. Por isso, eu acho que não deveria haver limitação ao importante princípio do “entrou porque quis”, até pelo fato de que você, homem liso, tem 15 minutos para se arrepender e sair sem pagar, assim na boa. Quer medida mais justa do que essa? (em tempo: este princípio do “entrou porque quis” também se aplica aos bares que cobram couvert artístico, mesmo que você entre no bar exatamente na última música do cantor/banda. Quer coisa mais chata?). 

Em segundo lugar, a ordem econômica vigente no país garante ao comerciante o exercício da “livre iniciativa”, pelo qual você pode explorar uma atividade econômica lícita. E pelo que me consta, ganhar dinheiro por guardar seu carro enquanto você se livra do calor do cão que está fazendo lá fora é atividade totalmente legal (ao contrário da venda de dvd’s piratas que, diga-se de passagem, ninguém faz nada pra acabar). Então fica assim: os donos de shopping exercem a sua livre iniciativa e você pratica a sua “livre iniciativa” de dizer “nãmmm”, dar marcha ré no carro e ir embora. As armas usadas são equivalentes, o consumidor coitadinho pode até estar liso, mas não está lesado. 

Portanto, a lei pode até ser boazinha, mas pra ser derrubada não falta nada. 

E pra encerrar o texto, se a lei vingar eu até imagino o que pode acontecer daqui pra frente... como brasileiro é esperto e gosta de inventar jeito de ganhar dinheiro, não me espantaria se entrasse no shopping e encontrasse alguém gritando “OLHA A NOTA FISCAL AÊ! É SÓ 2 REAL”. Iria ser massa. E, como brasileiro gosta de levar vantagem, aposto como teria gente que compraria. Fica aí a dica.


Um comentário:

Angelo Medeiros disse...

Lembrando, aqui e lá no pitombas, que a Lei proíbe o shopping de cobrar mas não proíbe o consumidor de pagar. Aos que acham uma bobagem sugiro que continuem a pagar os R$3,00 independente das notas fiscais, assim vocês continuam ajudando o shopping nos seus serviços.