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terça-feira, 13 de julho de 2010

Dia silencioso do Rock!

Por Anderson Foca
Centro Cultural Dosol

Julho é o período que se convencionou celebrar o rock e suas vertentes. Sempre no dia 13 deste mês a data do Dia Mundial do Rock é lembrada, celebrada e incensada graças ao LiveAid, Bob Geldof e outros amantes do estilo.

Já há três anos o Dosol vem promovendo a maior celebração da data em Natal misturando palestras, conhecimento, solidariedade e é claro, muita música. Ano passado foram mais de mil e quinhentas pessoas no evento solidário e gratuito (todas as edições foram gratuitas), gerando duas toneladas de alimento e colocando em ação dez bandas locais para um grande público. Sucesso de público, organização e mídia.

A prefeitura, através da Fundação Capitania das Artes, nos convidou para fazer uma parceria, já que uma das premissas das ações da Fundação é comemorar os dias que fazem parte da cultura da cidade: dia do artista plástico, dia do museu, dia da cultura popular, dias, dias, dias… Fomos de braços abertos. Cedemos nosso know-how e aceitamos realizar o evento em parceria com o poder público.

Eles cediam a estrutura necessária para o evento e nós ficávamos com a parte de casting, organização e assessoria de imprensa. Mandamos um orçamento prontamente aprovado pelos gestores (e muito mais baixo do que qualquer coisa do tipo que eles costumam fazer) e saímos felizes, certos de que estávamos tratando com gente séria e cumpridora de contratos. Tive o cuidado de perguntar ao departamento financeiro da Capitania das Artes em quanto tempo sairia o dinheiro para pagar os fornecedores, já que eu teria a responsabilidade de contratar e pagar a todos os envolvidos. Trinta dias foi o prazo estipulado para o pagamento.

Ligamos para os nossos parceiros, acertamos sonorização, cercamento, alugamos espaço adicional, segurança e modestamente fizemos uma GRANDE FESTA (veja o vídeo aqui). Agora começa a parte chata da história.

Entregamos toda a documentação de convênio com a prefeitura 20 dias antes do evento acontecer, incluindo nota fiscal com todas as nossas responsabilidades devidamente cumpridas. Realizamos o evento e esperamos dar o prazo do repasse da prefeitura. Passaram-se trintas dias, sessenta dias, noventa dias e estamos chegando agora a 365 dias sem o acerto que acordamos através de contrato.

Há uma lenda que diz que quem deve é quem tem muito dinheiro. Quem tem pouco dinheiro (ou nenhum) é que dá um jeito de sempre manter suas contas em dia com muito trabalho e dedicação. O Dosol não podia deixar os parceiros e fornecedores na mão e logicamente PAGOU TODOS OS ENVOLVIDOS COM VERBA PRÓPRIA, já que o repasse da prefeitura não foi feito, descapitalizando nosso combo de cultura e quebrando uma série de planejamentos e ações.

Já perdi as contas das vezes que ligamos, marcamos reuniões e nos envolvemos com a Capitania das Artes. O Dosol recentemente estava num grupo de estudo (voluntário) para reformar a Lei Djalma Maranhão. Temos muita simpatia pelas pessoas que lá estão, Rodrigues Neto e seu comando simpático, Gustavo Wanderley (que já saiu da vice-presidência), entre outras figuras bacanas que lá estão.

Mas é inadmissível ver a assessoria da fundação cultural municipal inundar minha caixa de e-mail todos os dias com eventos novos e a prefeitura alegar que não ter “orçamento” para pagar uma dívida adquirida há um ano. Será que o povo que trabalhou no Auto de Natal, no Encontro de Escritores, ainda não recebeu? Será que o salário de Rodrigues Neto está atrasado? E o da nossa prefeita? Ela também tá na pindaíba? Duvido.

Então ficamos assim. Continuaremos cobrando. E não temos dinheiro para fazer a ação do Dia Mundial do Rock em 2010 graças ao calote que estamos levando da Capitania das Artes e da prefeitura. Seguimos nosso trabalho já bem acostumados com o funcionamento e o interesse que esse povo tem por cultura e cidadania.

Dizem que os chatos são atendidos primeiro. Nunca quisemos ser chatos e nem é do nosso interesse perder tempo com reclamismos. Mas agora é uma questão de honra e respeito que isso se resolva, não pelo dinheiro, mas pela dignidade que é sempre muito mais importante!

E quem sabe eles não pagam nessa pressão e voltamos atrás e realizamos mais um ano do evento? Ajude à gente e ao rock and roll espalhando esse texto.


Postado originalmente no Diário do Tempo de Sérgio Vilar

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