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quarta-feira, 22 de abril de 2009

Festival SOL

Antigamente dizia-se que misturar públicos diferentes só dava confusão. Mas hoje, visando o lucro só está se investindo nesse tipo de festival que mistura 'raças' diferentes. O Festival Sol, que deverá acontecer no final dessa semana trará no mesmo dia, uma banda 'pop', uma de 'axé' e uma de 'forró'. Antigamente no extinto Blackout da Ribeira, tocava rock de verdade e o público realmente estava afim de ouvir, não tinhamos brigas nem desavenças.
Outra vez entrei em um desses festivais à convite de uns amigos e o que acontece? Uma cadeira de plástico passa voando por minha cabeça... Com mais um minuto passa a tropa de seguranças paa conter uma confusão... Lamentável.
Comentei os estilos entre aspas por que acho que eles estão se acabando, perdendo a sua raiz. No forró as letras falando do sertão, dos sertanejos sofridos e das coisas do interior do Nordeste eram predominantes, agora só falam em cabaret, putaria e cachaça. O que vemos é uma grande safadeza nas letras estupradas de hoje. Sem falar do rítmo. Musicalmente falando, totalmente diferente na construção dos seus compassos.
O rock por exemplo, que também não é mais o mesmo, virou romântico. Quem diria que o titãs gravaria músicas de Roberto Carlos em face dos discos dos anos 80 onde eram letras de protesto. Será que está todo mundo satisfeito com as coisas, não existe mais protesto?
Acredito que hoje existe um estilo único o "POP". Estilo esse que predomina nos artistas de A à Z [com raríssimas exceções], é um estilo de músicas comportadas, com letras idiotas que agradam desde o pessoal com condição financeira mais baixa até os 'playboys' com seus carros gigantes. Tudo feito, claro, visando o lucro sem importar o conteúdo.
Me admiro bandas como Skank, aceitar tocar num evento desses; deve ser a crise mesmo.
Infelizmente é a degradação da música brasileira, estilos verdadeiros são difíceis, fácil é achar músicas e atitudes semelhantes as que aconteceram em tempos passados, diria que tudo não passa de imitação. O que há de novo está só para emporcalhar a música.

Um comentário:

lisandra disse...

Concordo...Existem, sim, coisas boas, mas o grosso do povo só está fazendo porcaria. E pessoas/bandas que antes tinham músicas legais viajaram na maionese. Fico deprimida de ver uma banda como Skank, que tinha músicas muito bonitas, ir tocar num troço desses, que leva o nome de festival, uma verdadeira afronta se considerarmos o sentido dos festivais de música no Brasil há alguns anos.
Bom, mas falando em viajar na maionese, veja que meleca Frejat compôs e teve coragem de cantar:

"Ah, será que ninguém percebeu que estamos girando no mesmo lugar?
Regredindo no tempo sem saber aonde nós vamos chegar?
Maltratando a Mãe-Natureza e esse imenso altar?
Impondo a miséria no mundo em nome de um tal "bem estar"?

Eu só queria entender o porquê

Ah, será que um dia uma estrela-guia virá pra mostrar o nosso papel:
Que a vida é uma linha fininha e o homem é o seu carretel?

Eu só queria entender o porquê
Eu só queria entender o porquê

Ah, será que o sentido da vida é viver o prazer de ostentar o poder?
E depois, ao final, quando tudo acabar, o que vamos fazer?
Eu espero que o homem perceba que assim está se matando
Acabando com o mundo, sem ter, nem porque, é a razão de um insano

Eu só queria entender o porquê de viver
Eu só queria entender o porquê pra viver
Eu só queria entender o porquê pra dizer:
Eu só queria entender o porquê"

OH, CÉUS, OH, TERRA, EU SÓ QUERIA ENTENDER PORQUE O FREJAT FEZ UMA MERDA DESSA.