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quinta-feira, 30 de abril de 2009

ENTREVISTA MARCELO CAMELO

Em entrevista cedida à Sérgio Ronaldo [Jornalista do Diário de Natal e blogueiro], Marcelo camelo fala de tudo um pouco, inclusive sobre os ex-hermanos; Confira abaixo:


Sérgio Ronaldo - Você chega a Natal depois de apresentações em locais bem distintos como um teatro em Fortaleza e o festival Abril Pro Rock, no Recife. Qual a expectativa para o show de Natal - em local aberto e com público voltado à sua música?
Marcelo Camelo - O que tenho sentido ao longo da turnê é que o jeito de a gente tocar é melhor percebido nos lugares feitos pra música e com as pessoas sentadas. Quando a acústica do lugar, do ambiente, amplifica a acústica do palco e das caixas de som. A gente toca de olho fechado, uma emoção fodida. Mas agora, nesta segunda etapa da turnê temos tocado em alguns lugares em pé, que cabe mais gente e viabiliza de chegar em algumas cidades. Assim o show funciona também, numa outra dinâmica.

Quais as lembranças das três apresentações junto com o Los Hermanos em Natal?
O primeiro show num reveillon (o show ocorreu no Barramares, Praia de Cotovelo, em 1999. Era o início da banda e do hit Anna Júlia) foi bem triste e estranho. E no dia seguinte por algum motivo que não me lembro eu perdi a partida com o pessoal pras dunas, não me perdôo por isso até hoje porque é um dos dias mais lembrados pelo pessoal nos hermanos. Mas as outras foram ótimas, com público que foi pra ver o show.

Sérgio Ronaldo - Tem acompanhado o trabalho dos outros integrantes do Los Hermanos? O que tem achado do Little Joy (atual banda de Rodrigo Amarante - o outro compositor/cantor da banda), por exemplo?
Adorei. Fui ao show do Little Joy, participei num show do Canastra (banda atual do baterista do pausado ou extinto Los Hermanos, Rodrigo Barba) e pude ensaiar e tocar com o Barba novamente. Ainda não fui ao show do Bruno (baixista) porque não estivemos na mesma cidade quando ele tocou com a Adriana.

A volta dos quatro para abrir o show do Radiohead foi classificada, em geral, como desentrosada pela crítica. Você também sentiu isso? Aquela apresentação foi um ensaio para uma volta definitiva em breve, ‘‘apenas’’ a oportunidade de abrir o show do Radiohead ou o quê?
Não acho que foi assim que repercutiu. Nós tocamos muito bem, ensaiamos mais do que o suficiente. O público estava muito feliz, cantando, pulando a perder de vista. Hoje também qualquer um é jornalista, né?. Acho até difícil falar que há uma opinião em geral, já que tem tantas opiniões sobre show. Na entrevista anterior o entrevistador no meio da pergunta disse que saímos aclamados do palco. Pra você ver como cada um pensa uma coisa. Pra mim foi demais. E foi uma ocasião oportuna, pela quantidade de gente presente e pela saudade do repertório e dos amigos, de se estar com meus queridos parceiros de tantos anos, tocando músicas que a gente fez e arranjou, pra um público grandão que gosta muito delas.

Qual a regularidade de contato com os antigos integrantes hoje? Comentam de prazos para um novo trabalho juntos?
Não nos falamos com tanta frequência. Estou morando em São Paulo, o que me distancia um pouco mais ainda. Não pensamos em nada pro futuro.

Se não, já há material pronto para um próximo trabalho solo? A partir destas novas composições, o que o público pode esperar de Marcelo Camelo no próximo álbum?
Não sei, sinceramente, o que o público pode esperar. Já tenho algumas coisas encaminhadas mas não há uma direção ainda, uma vontade que sugira pra onde ir ou um repertório que permita dizer.

Embora pareça óbvio, em Sou se percebe claramente suas influências musicais presentes no Los Hermanos de forma crua. É como se pudesse separar o joio que lhe cabe da banda. Você se sente mais à vontade com esta liberdade de compor ou em apresentar um resultado musical mais parecido com você?
A Clara Sverner tem o brilho de um ser autônomo, de luz própria. o Maurício Takara, o Dominguinhos, Marinho, o Chankas, a Mallu. Não encaro as coisas com esta pessoalidade. Em certa medida a escolha recai sobre mim mas há a presença e a conversa com muita gente. É na nossa relação que se dá o disco.

O álbum está bem menos rocker, mais acústico. Isso mostra sua preferência pela Bossa Nova, pelas influências carnavalescas e canções com melodias docemente deprês ou refletiu apenas uma fase?
Eu gosto de música. Não penso nela assim. Intérpretes, compositores, instrumentistas. Do Derek Bailey ao Beethoven, Guiomar Novaes, Mombojó, Mallu, os Cabinha, Christian Marclay, Tom Jobim, Moacir Santos, Joao Donato, Beatles. Clara Sverner, Araci de Almeida, Vanessa Damata, pra mim aquela música Little Joy, Strokes, o Kings of Leon, MC Leozinho..... A angela RoRo, o Luis Melodia, o Otto, o Moondog.

A canção Janta, em parceria com Mallu Magalhães foi considerada pela crítica das melhores composições de 2008. A parceria musical será mantida em futuros trabalhos?
A Mallu tem um ritmo muito intenso de composição. Ela compõe muito mesmo. Nossa parceria se dá em muitos outros planos, mas nunca compusemos nada juntos ainda. Encontrar pessoas como ela ajuda de todas as maneiras.

Há vídeos no youtube de gafes jornalísticas de entrevistas feitas com o Los Hermanos ou com você, em particular. A que você atribui este número incomum de gafes: à má qualidade dos jornalistas ou o que classificam como má vontade sua em conceder entrevistas?
Eu não vejo problema em gafes do tipo trocar o nome, ou mesmo não conhecer muito bem a obra. Isso é a parte que não importa do lance. As melhores duas entrevistas que dei na vida foram pro Professor Ruy Carlos Ostermann e ele nunca soube nada sobre minha música. Descobria tudo na hora. E dividia com o ouvinte suas surpresas... ‘‘olha é uma marchinha...’’. Entrevista é uma conversa ou não. Quando é uma conversa é bom, do contrário não funciona.


Agradecimentos à Sérgio Vilar por ter nos cedido essa franca entrevista; quem quiser conhecer um pouco mais do trabalho dele pode acessar o seu BLOG Diário do Tempo.

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